AS POSSÍVEIS INFLUÊNCIAS DA INTRODUÇÃO DA CAPOEIRA NA EDUCAÇÃO INFANTIL EM CURITIBA E EM OUTROS MUNICÍPIOS DO ESTADO DO PARANÁ PELO GRUPO CAPOEIRA BRASIL

Este artigo foi organizado, dentro de um curso de formação ofertado pela prefeitura de Curitiba em um convenio com a UFPR e Governo Federal no ano de 2015. Uma das temáticas do curso era a educação física na formação docente. Como professora na educação infantil há 20 anos e hoje instrutura de Capoeira, resolvi observar de que forma a capoeira vem a contribuir na primeira infância. Utilizando como objeto de pesquisa o trabalho desenvolvido dentro da metodologia do Grupo Capoeira Brasil, núcleo Mestre Paulinho Sabia, no estado do Paraná com a supervisão do Formado Duende. Observou-se que essa arte contribui em vários aspectos no desenvolvimento das crianças, desta forma surgiu o questionamento da ausência da mesma na grade curricular em especial do ensino público e que raramente encontramos na grade da rede particular, muitas vezes aparece como extra curricular.
 
AS POSSÍVEIS INFLUÊNCIAS DA INTRODUÇÃO DA CAPOEIRA NA EDUCAÇÃO INFANTIL EM CURITIBA E EM OUTROS MUNICÍPIOS DO ESTADO DO PARANÁ PELO GRUPO CAPOEIRA BRASIL  
                                                                                                                         OLIVEIRA, Alessandra Claudia [1]  

RESUMO: Este artigo tem como objetivo observar a introdução da capoeira nos espaços de Educação Infantil em instituições públicas e privadas, em alguns municípios do estado do Paraná, bem como verificar se a mesma consta na grade curricular ou extra das unidades curricular e os possíveis benefícios da prática na educação infantil. O relato de alguns integrantes do Grupo Capoeira Brasil sobre a prática e a metodologia utilizada, ajuda a entender como e onde a capoeira vem sendo trabalhada e as possíveis influencias que ela proporciona na vida e desenvolvimento das crianças. A análise dos dados do questionário aplicado, demonstra alguns avanços no desenvolvimento das crianças praticantes de capoeira, em especial na área social, afetiva e do movimento. Verificou-se que a capoeira não consta da grade curricular das escolas públicas e, em alguns municípios é desenvolvida nas instituições de ensino público por meio de projetos oriundos da secretaria de esporte e lazer. Já em algumas instituições de ensino privado, consta como grade curricular ou extracurricular. Conclui-se que, mesmo com todo um avanço na legislação exigindo a inclusão da temática da história afro brasileira e da cultura africana na grade curricular das instituições de ensino, a Capoeira é uma grande representação desta cultura, porém não é prioridade nos espaços de ensino em especial na rede pública. Segundo Pinheiro (2015), as possíveis influências da prática da capoeira nos anos iniciais são benéficas às crianças nos aspectos motor, social e cultural. Dessa forma, entende-se que mesmo sendo trabalhada de forma paralela, a capoeira tem contribuído para o desenvolvimento das crianças que tem acesso a essa prática da capoeira. A inclusão nos currículos das instituições públicas e privadas, favoreceria um trabalho interdisciplinar, perpassando outras temáticas, resultando em uma metodologia propícia à formação e ao desenvolvimento integral das crianças.   Palavras-chaves: Capoeira. Educação infantil. Cultura. Currículo.    
 
INTRODUÇÃO  

A educação infantil, primeira etapa da educação básica, tem como finalidade o desenvolvimento integral da criança até seis anos de idade, em seus aspectos físicos, psicológicos, intelectual e social, complementando a ação da família e da comunidade (BRASIL, 1996).      A criança é um sujeito histórico e de direitos e é no dia a dia que constrói sua identidade individual e coletiva por meio de vivências, relações e interações. Por meio do lúdico, brincando, ela consegue imaginar, experimentar, dialogar, construir sentidos e questionamentos sobre a sociedade que o rodeia, ampliando conhecimentos e novas culturas. O Referencial Curricular Nacional para Educação Infantil (1998), volume 1, apresenta os seguintes eixos temáticos: movimento, artes visuais, música, linguagem oral e escrita, natureza e sociedade e matemática. Esses eixos foram escolhidos por se constituírem em uma parcela significativa da produção cultural humana, que amplia e enriquece a condição de inserção das crianças na sociedade. Vivemos em uma sociedade com múltiplas diversidades culturais, costumes e diferenças e essa multiculturalidade deve ser trabalhada nos anos iniciais contribuindo para o crescimento e ampliação de conhecimentos pelas crianças. Com a aprovação da Lei 10639/2003, houve a revisão das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil – DCNEI (BRASIL, 2009), incluindo no seu artigo 8º, inciso I, a exigência de que as propostas pedagógicas contemplem as diversidades.        (...) VIII – a apropriação pelas crianças das contribuições histórico-culturais dos povos indígenas, afrodescendentes, asiáticos, europeus e de outros países da América; IX – o reconhecimento, a valorização, o respeito e a interação das crianças com as histórias e as culturas africanas, afro-brasileiras, bem como o combate ao racismo e à discriminação; DCNEIs (...) (BRASIL, 2009).   As diretrizes e referenciais são o fio condutor para o repasse e troca de conhecimentos na educação infantil e a proposta pedagógica ou projeto político pedagógico das unidades educacionais é o plano norteador em que devem ser construídas as metas, princípios, função sociopolítica e pedagógica, da educação da instituição, bem como a garantia do aprendizado de diferentes linguagens e apropriação de conhecimentos, no processo de ensino e aprendizagem. As questões da diversidade étnico racial estão contempladas em lei e nas diretrizes nacionais, mas como estão sendo discutidas nas instituições de ensino? A capoeira vem contribuindo nesse aspecto? Está presente na grade curricular das instituições de ensino? O presente trabalho busca responder a essas questões tendo como base as contribuições dos mestres, professores, instrutores e estagiários pesquisados. A capoeira é considerada por muitos como uma modalidade de luta, por outros como dança ou como um esporte. Hoje a capoeira é patrimônio cultural tombado no Brasil, bem imaterial no estado do Rio de Janeiro e atualmente considerada pela UNESCO como patrimônio cultural imaterial da humanidade desde novembro de 2014. Sua origem é indefinida, alguns autores como Vieira (1995) defendem que se originou na África e outros no Brasil, mas a maioria dos autores, relatos e registros afirmam que é uma luta brasileira desenvolvida a partir de cultos africanos realizados pelos escravos no Brasil colônia, assim denominada afro brasileira. Muitos a atribuem aos negros oriundos de Angola. Já Rego (1968), questiona tais afirmações devido a falta de documentação que  as comprovem. Entendendo que os mesmos não foram os únicos escravizados na época, mas também negros do Congo e Moçambique e geralmente os cantos e toques eram relacionados à Luanda e Benguela, Iório e Darido (apud DARIDO; RANGEL, 2005) relatam que a capoeira praticada no Brasil não existe na África, bem como as cantigas, as músicas os instrumentos, as rodas, os golpes e as defesas. Já Tubino (2007), traz vários elementos culturais, dessa forma em alguns momentos foi considerada como dança, luta, ou como instrumento de resistência (arma de guerra). Para Souza (2006), “rituais africanos, encontrados em várias regiões da África contribuíram para o nascimento da Capoeira”. Embora a origem da Capoeira seja discutida ontem e hoje por historiadores, praticantes e pesquisadores, a conclusão que mais se aproxima de seu surgimento é que ela nasceu no Brasil a partir dos costumes,  ritos e necessidade de resistência dos negros escravizados.   Segundo Vieira (1995), as rodas de capoeira aconteciam nas praças de Salvador e festas no Largo e seu aprendizado acontecia na forma da vivência. A prática da mesma passou a acontecer em locais fechados na academia de Mestre Bimba e no barracão de Mestre Waldemar. Manoel dos Reis Machado, famoso Mestre Bimba, foi o primeiro a dar aula formalmente na sua própria academia, que chamava Centro de Cultura Física Regional Baiana e criou um novo estilo intitulado Capoeira Regional. O grupo Capoeira Brasil nasceu em 14 de janeiro de 1989, em comemoração aos 101 anos da abolição da escravatura. Segundo Souza (2006), fundado por 3 mestres: Paulinho Sabia, Boneco e Paulão do Ceará. O grupo já completa 26 anos e seu estilo é denominado capoeira regional contemporânea, que tem como base a capoeira regional de Mestre Bimba e mais a evolução dos movimentos desenvolvidos na capoeira ao longo dos anos. O resgate, divulgação e manutenção da expressão da capoeira enquanto arte, cultura, esporte e a transformação de seus praticantes, são princípios dentro do grupo. Hoje o grupo está representado em quase todo território brasileiro e em mais de 20 países espalhados nos 5 continentes. O núcleo do Mestre Paulinho Sabia tem investido no aprimoramento de seus mestres, professores, instrutores e estagiários realizando encontros anuais que vão além da prática do movimento trazendo, também, a questão histórico-cultural, a pesquisa e a construção do saber. O saber vivido por esses profissionais e a prática do dia a dia vem alimentando as mudanças na forma de dar aula de Capoeira nos dias de hoje, inclusive na educação infantil em que passa a ser trabalhada já na década de 80, segundo Pinheiro (2015). Ampliar conhecimentos tornou-se cada vez mais necessário e muitos profissionais da capoeira hoje são graduados em educação física ou pedagogia. Com o surgimento de novos públicos, a formação em todos os âmbitos se tornou fundamental para poder realizar o ensino da capoeira, em especial na educação infantil, mas também para adolescentes, jovens, adultos e para a melhor idade, assegurando nas aulas ministradas a qualidade e a metodologia adequada.   (...) a capoeira quando aplicada com a metodologia adequada, é uma ferramenta de grande valia na integração social, além de resgatar e desenvolver a nossa cultura popular e de preservação a nossa própria identidade e identificação (SOUZA, 2006, p. 12)   Em questionário elaborado e distribuído para quatorze profissionais do Grupo Capoeira Brasil no estado do Paraná, foram pontuadas algumas questões como nome, idade e sexo; cidade de atuação; formação; tempo de prática na capoeira; tempo de atuação na educação infantil; se atuam em escolas públicas, privadas ou ambas; se a capoeira consta como grade curricular ou extra curricular nas instituições que atuam; a idade das crianças; a carga horária; metodologias utilizadas, resultados que vêm encontrando no trabalho com a educação infantil; a importância da capoeira fazer parte da grade curricular; autores ou referencial teórico utilizado para realização do trabalho. Houve a devolutiva por dez profissionais com idade entre 31 e 41 anos de ambos os sexos, a maioria com formação em nível superior, em especial na educação física. Praticantes de capoeira entre 8 e 25 anos e com tempo de atuação  na educação, com crianças e adolescentes, variando de 3 meses a 17 anos. Dentre esses profissionais há formandos, ou seja, contramestres (corda marrom), professores (corda verde), instrutores (corda azul) e estagiários (corda vermelha e azul), graduações utilizadas pelo Grupo Capoeira Brasil. No que se refere ao desenvolvimento do trabalho, o mesmo ocorre em várias cidades: Curitiba, São José dos Pinhais, Pinhais, Fazenda Rio Grande, Campo Largo, Jaguariaíva e Arapoti. Os profissionais respondentes atuam em escolas públicas e privadas. Na maioria das escolas públicas são projetos sociais desenvolvidos pelas prefeituras, oriundos principalmente da Secretaria de Esporte e Lazer e Assistência Social como no caso de Curitiba, em que um dos projetos acontece dentro de um Centro de Referência da Assistência Social – CRAS. Em uma escola do mesmo município, consta como eixo da educação física e em alguns municípios são projetos coordenados pela secretaria da educação. Nas instituições privadas constam como extracurricular em algumas escolas e muitas já tem a capoeira na grade curricular. Na maioria das respostas, quanto à importância de constar como grade curricular, todos foram favoráveis com diferentes justificativas: foco cultural e social; resgate da história do desenvolvimento construção do Brasil; questão étnico-racial; desenvolvimento motor, cognitivo, psicológico, afetivo e social da criança. Segundo Formando Duende   “a Capoeira é um grande instrumento utilizado como meio de educação, seja na sociabilização entre alunos, exercício de cidadania e no desenvolvimento de capacidades físicas, sendo uma importante ferramenta na execução de movimentos motores”.   A capoeira na educação infantil é um grande atrativo por possuir atividades motivacionais e uma abordagem lúdica, respeitando a faixa etária de desenvolvimento, Pinheiro (2015). Foram relatados alguns aspectos legais como o Projeto de Lei do Senado nº 17 de 2014 que reconhece o caráter educacional da capoeira e permite a prática da mesma nas escolas e a Lei 10639, de 9 de janeiro de 2003, que inclui oficialmente no currículo das redes de ensino a História da Cultura Afro Brasileira e Africana. As idades trabalhadas variam de 2 até 16 anos dentro das instituições citadas pelos entrevistados, havendo um corte até 5 anos considerado como educação infantil.  A carga horária tem uma variação na forma de contratação pelas instituições, tanto públicas quanto privadas, mas o tempo de atividade é dividido conforme a faixa etária e na educação infantil, segundo os respondentes, não deve ultrapassar 30 minutos.  Esses trinta minutos de prática da capoeira trazem grandes benefícios para as crianças, em especial na questão corporal e motora. Cada aula pode trabalhar um aspecto ou área diferente como o movimento, a lateralidade, equilíbrio, psicomotricidade, espaço global e temporal. Também proporciona a ampliação de conhecimentos por meio do resgate da cultural, a história do povo afro-brasileiro que vem carregada com aspectos de gênero, etnias e folclore brasileiro. A música é outro elemento utilizado na sua aplicação e proporciona o aprendizado de diferentes ritmos e a apreciação de instrumentos como o berimbau, o atabaque, o pandeiro, o agogô e o triângulo, bem como a experimentação do som por meio das palmas. Há ainda a ênfase no lúdico, pois as atividades são desenvolvidas por meio de brincadeiras, circuitos de exercícios e contação de histórias. O desenvolvimento de aspectos sócioafetivos são proporcionados por meio das atividades com os amigos e socialização das mesmas com os familiares, pois demonstrar para os pais que o que aprenderam faz parte do cotidiano dessas crianças. A disciplina também é trabalhada por meio de regras de convivência, respeito ao próximo e transferência de saberes e vivencias. Referente à metodologia, a maioria dos profissionais seguem o que é regido pelo Grupo Capoeira Brasil, respeitando cada faixa etária. A construção da mesma vem do acúmulo de conhecimentos ao longo dos anos, fundamentos da capoeira com brincadeiras e ludicidade em história, dos seminários, cursos de aperfeiçoamento, palestras, workshops, festival infantil e troca de experiências realizadas pelo Grupo Capoeira Brasil. Pesquisas, teses de mestrado e doutorado de alguns integrantes do grupo também vêm contribuindo na execução da metodologia. A apostila confeccionada no ano de 2012 deve, obrigatoriamente, ser seguida por todos que ministram aula pelo Grupo Capoeira Brasil, por nela estar sistematizada a metodologia utilizada pelo grupo. O livro e DVD do Mestre Paulinho Sábia, com primeira edição publicada em 2006 em Francês (Capoeira Les Bases Techniques) e no Brasil no mesmo ano pela editora Saraiva, vem complementar e aprimorar a metodologia. Os resultados obtidos pela metodologia, segundo os entrevistados, são positivos em vários sentidos. Foi citado que a mesma é utilizada por vários anos e é regularmente adaptada conforme a realidade de cada espaço ou cada criança. A possibilidade de utilizar a brincadeira, a história, a música e o movimento em uma mesma aula ou utilizá-las em aulas separadas, torna a metodologia atrativa e prazerosa para as crianças, não se resumindo apenas ao momento da aula, sendo transportada pelas crianças aos seus familiares.  O desenvolvimento de cada criança nas áreas do movimento, da afetividade e na área sociocultural também é perceptível e a análise das aulas é fundamental. Uma vez que a continuidade do trabalho é melhor qualificada podendo ampliar o universo de conhecimento e desenvolvimento das crianças, estipulando novos desafios nos planos de aula. Sobre outras metodologias utilizadas, os profissionais esclareceram que o Grupo Capoeira Brasil procura sempre se aprimorar nesse sentido, realizando todos os anos um curso de reciclagem ministrado pelo Mestre Paulinho Sabiá com a participação de Mestres, Formados, Formandos, Professores e instrutores que ministram aulas, Nesse espaço é propiciado análise do que foi aplicado e novas propostas que poderão ser trabalhadas. A troca de informações e experiências com outros grupos também é realizada. Para a realização do trabalho, algumas publicações são utilizadas como referencial teórico, dentre elas, os livros: Compreendendo o Desenvolvimento Motor – Bebês, Crianças, Adolescentes e Adultos (GALLAHUE; GOODWAY, 2013); Capoeira na Educação Infantil: Teoria de ensino e atividades práticas (BARROSO, 2012); A prática do ensino da capoeira nas escolas: Perfil e visão do capoeirista (TEIXEIRA; OSBORNE; SOUZA, 2012); Capoeira na escola: plano de atividades (PINHEIRO; SIMÕES; PEREIRA, 2015). Formando Jabuti*. O conhecimento traduzido e repassado nas aulas, palestras, seminários, workshops por Robson Pinheiro, conhecido no universo da capoeira como Formado Duende, que pratica capoeira há 25 anos, ministra aulas desde 1995 e atua na educação infantil desde 1998, sendo conhecido como um dos percussores da capoeira no estado do Paraná.   

CONSIDERAÇÕES FINAIS

 
  Analisando a capoeira no decorrer da sua história, identificamos sua importância na construção histórico-social e cultural no Brasil, podendo ser citada em outros países já que a mesma vem sendo praticada em outras terras.  Por meio da análise dos questionários respondidos pelos profissionais da capoeira do Grupo Capoeira Brasil no estado do Paraná, conclui-se que a prática da capoeira possibilita vários avanços no desenvolvimento das crianças na educação infantil, pois é tida como uma atividade física completa e a possibilidade de trabalhar outras áreas como a cultural, permite o resgate sócio-histórico da cultura afro-brasileira e africana, como é o exemplo da roda, que traz a ancestralidade da cultura afro que repassa o conhecimento por meio de histórias e da circularidade. A elevação na autoestima, ampliação da socialização e afetividade com o outro, são outros aspectos que contribuem para a formação de indivíduos criativos e autônomos, possibilitando melhor convívio familiar, uma vez que, por meio do contato das crianças com a capoeira, seus familiares passam a frequentar e praticar as aulas em conjunto.  O desenvolvimento motor também está incluso, abrangendo e ampliando todas as áreas do movimento por meio da prática de golpes específicos como a ginga, que possibilita a noção do seu espaço global e temporal, sendo  perceptível desde a infância até a fase adulta. Também o ritmo, que possibilita à criança perceber seu corpo ao som da música, das palmas e dos instrumentos; a ampliação das habilidades linguísticas e matemáticas; e a preservação do lúdico presente no cotidiano da educação infantil. A capoeira é um grande instrumento de desenvolvimento e hoje é trabalhada de forma paralela nas instituições de ensino público no estado do Paraná, pois não está presente em sua grade curricular de ensino, sendo encontrada somente em algumas instituições de ensino privado, nas quais esta arte  é tratada como prioridade. A importância da capoeira estar presente no currículo como prática de ensino esta relacionada aos benefícios citados anteriormente, bem como à possibilidade de pode ser trabalhada de forma interdisciplinar, podendo perpassar todas as temáticas do currículo, favorecendo uma metodologia que viabilize a  formação  integral das crianças.    

REFERÊNCIAS


  BARROS F.K.; Capoeira na Educação Infantil: Teoria de ensino e atividades práticas. Editora Phorte: 2012.
 
BRASIL. Lei n.º 10.639, de 9 de janeiro de 2003. Altera a Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional, para incluir no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática História e Cultura Afro-Brasileira, e dá outras providências. Disponível em: <https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/L10.639.htm>.  

BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional n.º 9394/96. 9.ª edição. Câmara dos Deputados. Brasília: Série Legislação, 2014.
 

BRASIL. Ministério da Educação. Conselho Nacional de Educação/Câmara da  Educação Básica. Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil. Brasília, 1998. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/dmdocuments/parecer_ceb_22.98.pdf>.
 

BRASIL. Ministério da Educação. Conselho Nacional de Educação/Câmara da Educação Básica. Revisão das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil. 2009. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_docman&view=download&alias=3748-parecer-dcnei-nov-2009....
 
BRASIL. Ministério da Educação. Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil. Vol. I. Brasília: MEC/SEF, 1998.  

CURITIBA. Projeto Capoeirando. Cultura e arte. CMEI Vila Torres, turma Maternal II., 2014.
 

GALLAHUE D.; OZMUN J. C.; GOODWAY J.D. Compreendendo o Desenvolvimento Motor – Bebês, Crianças, Adolescentes e Adultos. Editora Artmed. 2013.


  IÓRIO, I. S.; DARIDO, S. C. Capoeira. In: DARIDO, S. C.; RANGEL, A. I. C. Educação Física na Escola – Implicações para a Prática Pedagógica. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2005.  

PINHEIRO R. (Formado Duende); SIMÕES A. (Formado Jabuti); PEREIRA P.S.L. (Instrutora Lú Malévola) Capoeira na Escola Plano de Atividade. GCB-PR. 2015.
 

REGO. W. Capoeira Angola – Ensaio Sócio- Etnográfico. Salvador: Itapuã – Coleção Baiana, 1968.


SÁBIA, Mestre Paulinho. Metodologia do Grupo Capoeira Brasil. Rio de Janeiro. 2012.
  SOUZA. P.C.S (Mestre Paulinho Sábia). Capoeira Les Bases Techniques. Palaiseau-França, editora I- Prod. 2006.  

SOUZA. P.C.S (Mestre Paulinho Sábia). Capoeira Técnicas Básicas. Rio de Janeiro, editora Saraiva. 2006.
 

TEIXEIRA F.F.; OSBORNE R.; SOUZA S.R.G.E. (Mestra Francesinha). A pratica do ensino da Capoeira nas escolas: Perfil e visão do Capoeirista. Artigo publicado em Revista Corpus et Scientia, Rio de Janeiro. 2012.
 

TUBINO, M. J. G. Dicionário Enciclopédico: Tubino do Esporte. Rio de Janeiro: Senac Rio, 2007.
  VIEIRA, L. R. O Jogo da Capoeira – Cultura Popular no Brasil. Rio de Janeiro: Sprint, 1995.  


[1]  Alessandra Claudia de Oliveira. Acadêmica no curso de Pedagogia na UFPR. Instrutora de Capoeira no Clube de Mães e Grupo Capoeira Brasil. Professora de Educação Infantil na Prefeitura Municipal de Curitiba. E-mail: <pimentagcb@gmail.com>.


http://www.edupesquisaemrevista.curitba.pr.gov.br/